Em 2026 há apoios a fundo perdido até 90% para projetos de turismo, através de programas como o Crescer com o Turismo, apoios do IEFP e linhas específicas do setor. O valor depende do tipo de investimento, da localização e da dimensão da empresa. Este guia explica a que tem direito e como candidatar.
Antes de tudo: a distinção que pode custar-lhe dinheiro ignorar
Muitos empresários e entidades chegam ao processo confundindo fundo perdido com financiamento reembolsável. É o erro mais comum na primeira abordagem a qualquer programa de apoio, e o mais caro em termos de expectativas mal geridas.
O Estado financia parte do seu investimento e não pede o dinheiro de volta. Sem reembolso, sem juros, sem contrapartidas de capital.
Condições muito mais favoráveis do que o mercado bancário, mas tem de ser devolvido. Em alguns casos, parte converte-se em fundo perdido se cumprir metas de desempenho.
Na Incentiva.pt, garantimos que percebe exatamente com o que pode contar antes de qualquer candidatura. Sem custos. Sem compromisso.
O programa principal: Crescer com o Turismo
O Crescer com o Turismo é o instrumento mais diretamente orientado ao setor, gerido pelo Turismo de Portugal no âmbito do Portugal 2030. Está aberto em contínuo até 31 de dezembro de 2026, ou até esgotamento da dotação de 30 milhões de euros disponíveis.
Candidaturas em contínuo: não há uma data limite fixa para submeter. Mas a dotação esgota quando acaba, sem aviso prévio. Quem candidata mais cedo tem vantagem real sobre quem espera.
O que pode financiar
- Obras de construção, adaptação e requalificação de instalações
- Equipamentos, mobiliário e sistemas de apoio turístico
- Software, plataformas digitais e sistemas tecnológicos
- Website, marketing digital e promoção da oferta turística
- Sinalética e interpretação do território
- Formação e qualificação de colaboradores
- Certificações de qualidade, sustentabilidade e acessibilidade
- Assistência técnica e consultoria especializada
- IVA recuperável
- Despesas correntes de funcionamento (salários, rendas, consumíveis)
- Investimentos já iniciados antes da data de candidatura
Quem pode candidatar-se
- Entidades públicas (câmaras, juntas, entidades intermunicipais)
- Entidades privadas sem fins lucrativos com mais de 3 anos de atividade
- Associações de desenvolvimento local e regional
- PME inseridas em projetos de inovação social ou Estratégias de Eficiência Coletiva aprovadas no Portugal 2030
- Empresas com situação fiscal ou contributiva irregular
- Entidades com incumprimentos em projetos anteriores cofinanciados
- Projetos em empresas com capitais próprios negativos
Taxas de apoio e limites financeiros
| Tipo de entidade | Taxa base (fundo perdido) | Com majorações | Limite fundo perdido | Componente reembolsável |
|---|---|---|---|---|
| Entidade pública ou sem fins lucrativos | 60% | até 90% | 400.000 € | até 1.000.000 € |
| PME (projetos elegíveis) | 60% | até 90% | 200.000 € | até 1.000.000 € |
Como funciona a majoração até 90%: a taxa base é 60%. Sobe para 80% em territórios de baixa densidade e pode atingir 90% quando o projeto integra uma Estratégia de Eficiência Coletiva aprovada. A componente reembolsável tem prazo de 7 anos com 2 anos de carência.
Os outros programas que pode articular
Para além do Crescer com o Turismo, há um conjunto de programas complementares que, consoante o tipo de projeto e entidade, podem ser usados em paralelo para maximizar o financiamento total obtido.
Apoios IEFP: contratar em turismo custa menos do que pensa
A maioria das empresas de turismo desconhece ou subaproveita as medidas ativas do IEFP. São apoios diretos, de acesso mais simples do que os programas de investimento, e que têm impacto imediato na estrutura de custos de contratação.
+Emprego
Apoio à contratação sem termo a tempo completo de desempregados inscritos no IEFP. Pago em 3 prestações com base no IAS (537,13 € em 2026). Candidatura via iefponline.iefp.pt.
Emprego +Talento
Para contratação de jovens com qualificação superior. Remuneração mínima de 1.442,57 €. Especialmente útil para trazer competências de gestão, marketing e tecnologia para a equipa.
Estágios IEFP
Duração de 6 meses com comparticipação até 80% da bolsa em situações específicas. Uma forma eficaz de testar candidatos antes de contratar e reduzir o risco de recrutamento em equipas mais pequenas.
Articulação inteligente: uma empresa de turismo que execute um projeto financiado pelo Crescer com o Turismo e contrate em paralelo pode aceder simultaneamente a apoios do IEFP. Os programas não se excluem mutuamente.
Quanto fica na prática: exemplo real de cálculo
Para tornar os números concretos, veja como funciona para uma unidade de alojamento turístico no interior de Portugal que quer requalificar as instalações e modernizar a oferta:
📊 Exemplo: Unidade de alojamento turístico · Interior Centro de Portugal
Leitura prática: a entidade investe 52.000 € de capital próprio e executa um projeto de 180.000 €. Um desconto real de 71% no custo do investimento, sem reembolso, sem juros, sem contrapartidas de capital.
Setores e situações elegíveis
O que separa quem recebe de quem não recebe
Há projetos excelentes que são reprovados. Há projetos mais modestos que são aprovados. A diferença raramente está na qualidade intrínseca do investimento. Está em três fatores que controlamos em cada candidatura que apoiamos:
- Elegibilidade verificada antes de candidatar. Situação fiscal, contributiva e económico-financeira confirmadas. Muitas candidaturas são eliminadas na triagem por falhas que eram detetáveis antes de submeter.
- Enquadramento no programa certo. O mesmo projeto pode ser elegível em dois programas com taxas e limites distintos. Escolher o programa errado significa deixar dinheiro em cima da mesa.
- Memória descritiva rigorosa. Objetivos claros. Métricas credíveis. Coerência entre projeto, despesas elegíveis e critérios de mérito do aviso. Uma candidatura mal construída não é rejeitada com explicação: é simplesmente pontuada abaixo do limiar de aprovação.
Atenção: submeter uma candidatura ao Crescer com o Turismo sem verificação prévia de elegibilidade pode invalidar o projeto para futuras candidaturas ao mesmo aviso. Candidatar bem à primeira é sempre mais eficiente do que corrigir a segunda tentativa.
O que preparar para candidatar
- IES dos últimos 2 exercícios fiscais completos
- Declarações de não dívida à AT e à Segurança Social
- Certidão permanente da empresa ou entidade
- Orçamentos formais de obras e equipamentos (mínimo 3 por rubrica)
- Memória descritiva com objetivos, atividades e resultados esperados
- Plano de financiamento detalhado (capitais próprios e financiamento externo, se aplicável)
- Submissão na plataforma SGPI do Turismo de Portugal
- Auditoria energética (não obrigatória neste programa)
- Estudo de impacto ambiental (salvo casos excecionais)
Outros guias que podem interessar: se a empresa também quer contratar, veja os Apoios IEFP 2026. Se o foco for eficiência energética, consulte o guia Eficiência Energética 2026. Para investimento produtivo mais alargado, veja o SI Base Territorial.
Perguntas frequentes
Que apoios existem para o setor do turismo em 2026?
O principal é o programa Crescer com o Turismo, que pode financiar até 90% a fundo perdido, a que se somam apoios do IEFP à contratação e linhas do Banco Português de Fomento.
Quanto financia o Crescer com o Turismo?
Pode chegar aos 90% a fundo perdido do investimento elegível, conforme o aviso e o tipo de projeto.
Que empresas se podem candidatar?
Empresas do setor do turismo com atividade em Portugal. O artigo detalha o que é financiável, as taxas de apoio e os limites financeiros.